Tópico 02 · Propriedades de Interação 2/2

Atrito de Rolamento e a Lógica da Calibração

3. Atrito de rolamento (μr)

Resistência ao rolamento contínuo sobre uma superfície, surge de microdeformações e efeitos de formato. Como esferas perfeitas rolam sem resistência no modelo, μr aplica um torque contrário para imitar a resistência de irregularidades reais.

Como medir: normas como ASTM G194-08, rampa de rolamento acoplada à superfície plana, mede-se a distância percorrida até parar.

Ordem de grandeza: menor que o atrito estático, 0,001–0,15.

🔧 As propriedades de interação SIM são calibradas — a medida experimental serve como ordem de grandeza (bounds e ponto de partida). Em sistemas industriais (carvão, umidade, formatos irregulares) as medidas de bancada não capturam todo o comportamento. Usa-se ferramentas (redes neurais, Box-Behnken, superfícies de resposta) para ajuste fino até a simulação reproduzir um teste macroscópico real (ex.: ângulo de repouso).

Maior ou menor que o medido? Depende da falha de modelagem compensada:

Atritos (estático e rolamento) → maiores

Partículas irregulares são representadas por esferas perfeitas (economia de CPU); esferas sem quinas rolam/deslizam com facilidade excessiva; aumenta-se o atrito para compensar a ausência de interlocking. Sem atrito de rolamento elevado, a simulação prevê pilhas espalhadas demais.

Coeficiente de restituição → menor

Fórmulas teóricas/testes em placas ideais superestimam o quique; em colisões reais entre milhares de partículas a energia é dissipada também por deformações plásticas não mapeadas, exigindo reajuste para baixo.

Prof. Cláudio Roberto Duarte — UFU · DEM & LIGGGHTS Fonte: dem_detalhamento.php — Tópico 2